Como fazer uma prancha de comunicação passo a passo
Passo a passo para montar, imprimir e usar uma prancha de CAA: escolher a rotina, selecionar o vocabulário, definir tamanho e número de colunas, imprimir em A4, plastificar e modelar.
Dá para ter uma prancha de comunicação funcionando hoje, com uma folha A4 e uma impressora. Este é o roteiro que usamos.
1. Escolha uma rotina, não “a vida toda”
A prancha universal é o inimigo do começo. Pegue uma rotina diária, concreta e curta: café da manhã, banho, ida à escola, consulta no dentista. Rotina que acontece todo dia gera repetição — e repetição é o que ensina.
2. Liste o vocabulário (metade núcleo, metade borda)
De 12 a 16 palavras. Comece pelas sete do vocabulário núcleo (eu, quero, mais, não, sim, acabou, ajuda) e complete com o que aquela rotina exige. Inclua ao menos uma palavra de recusa e uma de sensação (“dói”, “barulho”).
3. Escolha os símbolos
Use pictogramas de uma biblioteca consistente — nós usamos ARASAAC, que é gratuito, tem versão em português e traz o mesmo estilo gráfico em todos os símbolos. Misturar clip-art, foto e desenho na mesma folha aumenta a carga visual sem ganho.
Fotos reais valem a pena em dois casos: pessoas (a foto da avó comunica melhor que um pictograma genérico) e objetos únicos daquela casa (o cobertor específico, o brinquedo preferido).
4. Defina grade, tamanho e orientação
- Poucas células grandes para quem está começando, tem dificuldade motora fina ou baixa visão — 2×3 ou 3×3.
- 4 colunas × 4 linhas é o formato que melhor equilibra quantidade e legibilidade numa folha A4 (é o nosso padrão).
- Paisagem costuma render células mais largas para prancha de mesa; retrato encaixa melhor em pastas e mochilas.
- Alto contraste se houver baixa visão: fundo branco, borda preta, rótulo grande.
5. Imprima, plastifique, duplique
Imprima em papel comum e plastifique (ou use envelope plástico, fita adesiva larga, saco ziplock). Faça pelo menos duas cópias: uma fica no local da rotina, outra viaja na mochila. Se puder, uma terceira vai para a escola. Prancha rasgada tem que ser substituída no mesmo dia — sem prancha, sem voz.
6. Modele antes de cobrar
Por duas semanas, use a prancha você mesmo enquanto fala, dezenas de vezes ao dia, sem pedir nada em troca. Depois disso, comece a criar oportunidades: ofereça pouco suco (para gerar “mais”), “esqueça” um item, faça uma pausa e espere cinco segundos em silêncio. A espera silenciosa é a técnica mais subestimada.
7. Revise a cada duas semanas
Marque o que foi usado. Tire o que ficou parado, acrescente o que faltou (quase sempre falta uma palavra de recusa ou de sensação corporal). Nunca mude a posição do que já é usado — acrescente em células livres.
Atalho: deixe a IA montar
No Estúdio Papuguinho você escreve a rotina em português (“prancha para ir ao dentista”) e recebe a grade montada com pictogramas ARASAAC já escolhidos por significado, prontos para editar, renomear, reordenar, trocar por foto e imprimir em A4 ou PDF. Também dá para começar de uma prancha pronta e ajustar.
Monte a sua prancha em um minuto
Descreva o tema (“ir ao dentista”, “café da manhã”, “rotina do banho”) e o Estúdio Papuguinho escolhe os pictogramas ARASAAC, monta a grade e deixa tudo pronto para imprimir em A4 ou salvar em PDF.
Criar prancha grátis →Perguntas frequentes
Qual o tamanho ideal das figuras numa prancha de comunicação?
Depende do alcance visual e motor da pessoa. Comece grande — 3 a 4 células por linha numa folha A4 — e só aumente a densidade quando o apontar já for preciso e consistente.
Posso imprimir a prancha em preto e branco?
Pode, mas cores ajudam a diferenciar categorias e a localizar o vocabulário núcleo rapidamente. Se imprimir em preto e branco, mantenha o contraste alto e os rótulos grandes.
Preciso plastificar a prancha?
Recomenda-se. A prancha vai cair, molhar e ser dobrada. Plástico, envelope, fita adesiva larga ou saco ziplock resolvem — o importante é ter cópias de reposição.